Sábado, 6 de Outubro de 2007

As seitas e a lavagem cerebral (7)

Aspectos que Determinam um Grupo Religioso como Destrutivo da Personalidade

 

 

Lifton (1989), depois de ter estudado os efeitos do controlo da mente de prisioneiros de guerra americanos na China comunista, enumerou oito aspectos principais que podem ser usados para determinar se um certo grupo é uma seita/culto destrutivo da personalidade:

 

 

1. Controlo do Meio

 

 

As seitas/cultos usam várias técnicas para controlar o meio dos seus seguidores, mas usam quase sempre uma forma de isolamento. Os adeptos podem ser fisicamente separados da sociedade ou pode-se ordenar-lhes, sob pena de punição, que se mantenham afastados de pessoas de outras religiões e dos ateus, e também dos meios de comunicação social, especialmente se estes os levarem a pensar criticamente. Todos os livros, filmes ou testemunhos de ex-membros do grupo (ou de qualquer outra pessoa que critique o grupo) têm de ser evitados. A organização ‘mãe’ arquiva cuidadosamente informações acerca de cada adepto. Todos são vigiados, para que não se afastem nem se adiantem em relação às posições da organização. Isto permite que a organização pareça omnisciente aos adeptos, pois sabe tudo sobre todos.

 

 

2. Manipulação Mística

 

 

Nas seitas/cultos religiosas(os), Deus está sempre presente nas actividades da organização. Se uma pessoa sai da seita/culto, quaisquer acidentes ou infortúnios que lhes aconteçam são interpretados como um castigo de Deus. A seita/culto diz que os anjos estão sempre a velar pelos fiéis e circulam histórias, como Deus está realmente a fazer coisas maravilhosas entre eles, porque são "a verdade". Desta forma, a organização reveste-se de uma certa "mística" que atrai o novo adepto.

 

 

3. Exigência de Pureza

 

 

O mundo é descrito a preto-e-branco, ou seja, existem os "bons" e os "maus". A conduta da pessoa é modelada de acordo com a ideologia do grupo, conforme esta é ensinada na sua literatura. As pessoas e as organizações são descritas como boas ou más, dependendo do seu relacionamento com a seita/culto. Usam-se sentimentos de culpa e vergonha para controlar indivíduos, mesmo depois de eles saírem da seita/culto. Eles têm grande dificuldade em compreender as complexidades da moral humana, pois polarizam tudo em bem e mal e adoptam uma posição simplista. Tudo o que é classificado como mau, tem de ser evitado e a pureza só pode ser atingida se o adepto se envolver profundamente na ideologia da seita.

 

 

4. O Culto da Confissão

 

 

Os pecados graves (segundo os critérios da organização) têm de ser confessados imediatamente. Os membros da seita/culto que forem apanhados a fazer alguma coisa contrária às regras têm de ser denunciados imediatamente. Existe muitas vezes uma tendência para ter prazer na degradação de si mesmo através da confissão. Isto acontece quando todos têm de confessar regularmente os seus pecados na presença de outros, criando assim uma certa unidade dentro do grupo. Isto também permite que os líderes exerçam a sua autoridade sobre os mais fracos, usando os "pecados" deles como um chicote para controlá-los.

 

 

5. A "Ciência Sagrada"

 

 

A ideologia da seita/culto torna-se na moral definitiva para estruturar a existência humana. A ideologia é demasiada "sagrada" para se duvidar dela e requer-se que o adepto tenha reverência pelos líderes. A seita/culto alega que a sua ideologia tem uma lógica infalível, fazendo parecer que é a verdade absoluta, sem contradições. Um sistema assim é atractivo e oferece segurança.

 

 

6. Linguagem Elaborada

 

 

Lifton (1989) explica que as seitas/cultos usam de forma abundante "chavões para acabar com o pensamento", expressões ou palavras que são forjadas para acabar a conversa ou a controvérsia. Todos conhecemos os chavões "capitalista" e "imperialista", usados por manifestantes anti-guerra nos anos sessenta do século XX. Estes chavões memorizam-se facilmente e têm um efeito imediato. Designam-se por "linguagem do não-pensamento", pois terminam a discussão, dispensando quaisquer considerações adicionais. Entre as Testemunhas de Jeová, por exemplo, expressões como "a verdade", "a sociedade", "a organização", "o escravo fiel e verdadeiro", "o corpo governante", "o novo sistema", "a nova ordem", "os apóstatas" e "os mundanos" contêm em si mesmas um julgamento dos outros, não é necessário pensar mais neles.

 

 

7. Doutrina Acima das Pessoas

 

 

A experiência humana é subordinada à doutrina, independentemente seja profunda ou contraditória tal experiência. A história da seita/culto é alterada para se ajustar à lógica doutrinal. Os líderes são os que decidem quais são os livros de história exactos e quais são os tendenciosos. O indivíduo só tem valor na medida em que se conforma aos modelos preestabelecidos pela seita/culto. As percepções do senso comum são desconsideradas, se forem hostis à ideologia da seita/culto.

 

 

 

8. Dispensados da Existência

 

 

A seita/culto decide quem tem o "direito" de existir e quem não tem. Eles decidem quem morrerá na batalha final do Armagedão, do "Bem" contra o "Mal", um cataclismo marcado pela violência e pela destruição, que anunciará o fim do mundo e o Dia do Juízo. Os que não pertencem à seita/culto são os "egípcios", os inimigos do Deus dos judeus. Quando estes abandonaram o Egipto, libertados por Moisés, levaram consigo os tesouros dos egípcios. Logo, não é pecado "sacar" dinheiro aos "egípcios" da actualidade, que em breve serão exterminados por Deus. As famílias podem ser destruídas e os estranhos podem ser enganados pois não merecem existir!

publicado por alexandreramos às 13:49
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