Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

As seitas e a lavagem cerebral (3)

O Processo de Adesão a uma Seita ou Culto

 

 

O acto de conversão, com o qual o fundamentalismo começa a conquista do indivíduo, não se concebe como mero abandono externo de uma religião para se passar para outra, mas é todo um processo psicológico que implica a desmontagem de uma ideologia e sua substituição por outra. No contexto religioso fundamentalista, é um processo que se realiza em várias etapas consecutivas que começa sobretudo pela pregação (Galindo, 1994). Enquanto uma igreja realiza a missionação, as seitas e cultos realizam o proselitismo. O missionário deve preocupar-se com a salvação do homem, da pessoa. O objectivo do proselitista é engrandecer e fazer crescer a instituição: a seita ou culto (Prieto, 1994).

Ou seja, uma seita/culto quer angariar adeptos, isto é, quer que as pessoas adiram a esse grupo religioso. Para provocar a adesão das pessoas tem que as converter, ou seja, tem que as persuadir de que só através deles serão salvas. Finalmente, tem que as manipular, controlar o seu pensamento, de forma a que elas não abandonem o grupo, seja porque estejam convencidos de que só assim serão salvas, seja para as explorar economicamente.

 

 

Atitudes e Persuasão

 

 

O conceito mais importante da Psicologia Social tem sido o de atitude (Myers, 1999). As atitudes fascinam os psicólogos sociais. Para alguns, elas constituem o principal objecto da disciplina. Mas, na realidade, o que é uma atitude? Existem centenas de definições na literatura (Leyens & Yzerbyt, 1999); algumas das mais aceites, são:

 

     

  • É uma convicção e um sentimento que predispõem as nossas reacções a objectos, pessoas e eventos. Por exemplo, se «acreditamos» que alguém não presta, podemos "sentir" aversão por essa pessoa e agir com hostilidade (Myers, 1999);

     

     

  • É uma predisposição aprendida para responder de forma favorável ou desfavorável a uma pessoa particular, comportamento, crença ou coisa (R. S. Feldman, 2001);

     

     

  • É uma representação mental que condensa a nossa avaliação sobre um objecto. Na medida em que corresponde a uma avaliação, uma atitude pode, portanto, ser positiva, neutra, ou negativa. Também varia em intensidade, indo de uma tímida tomada de posição até às reacções mais violentas. As pessoas têm atitudes a propósito de imensas coisas. Pode ser sobre outras pessoas, como o seu melhor amigo, um colega de trabalho ou o Primeiro-ministro do país. Também podem ser objectos muito concretos, como um automóvel, um relatório de fim de curso ou um cozinhado. Enfim, por vezes, algumas atitudes respeitam a conceitos abstractos como a solidariedade, a economia de mercado ou a democracia (Leyens & Yzerbyt, 1999).

     

 

Ou seja, os psicólogos sociais geralmente consideram as atitudes segundo o modelo ABC, o qual sugere que uma atitude é constituída por 3 componentes (R. S. Feldman, 2001), i.e., pode dividir-se em 3 aspectos:

 

     

  1. Cognitivo – as crenças (factuais e neutras) e pensamentos que mantemos sobre o objecto da nossa atitude, por exemplo, «Fumar é uma grande causa de cancro»;

     

      

  2. Afectivo/Emocional – os sentimentos e emoções positivas ou negativas sobre alguma coisa, por exemplo, «Odeio o cheiro dos cigarros»;

     

      

  3. Comportamental – consiste numa predisposição ou intenção para agir de uma determinada maneira que é relevante de acordo com a nossa atitude, por exemplo, «Só como em restaurantes de não-fumadores» (Benson & Grove, 2000; R. S. Feldman, 2001).  

A atitude é um constructo teórico e, como tal, só pode ser estudado a partir dos comportamentos e respostas manifestas que indiciam avaliações positivas ou negativas (Pestana & Páscoa, 1998).

O processo de mudar atitudes das pessoas designa-se por persuasão (R. S. Feldman, 2001). As situações de persuasão baseiam-se no facto de ser possível modificar o comportamento das pessoas, na medida em que se consiga mudar as suas atitudes. É isso mesmo que está em jogo: mudar as atitudes permite modificar o comportamento. Para se conseguir impor uma transformação, o comportamento tem que se demarcar claramente das atitudes prévias (Leyens & Yzerbyt, 1999).

Dado que os grupos cristãos evangélicos consideram a igreja (congregação local) antes de tudo como um corpo activo, o princípio básico do proselitismo é a persuasão do indivíduo. A opção pela nova fé deve ser fruto de convicção e decisão pessoal e manifestar-se através da participação activa no trabalho "missionário". A evangelização, obra de todos, é entendida como actividade voltada para ganhar o maior número possível de almas para Cristo, persuadindo-se os indivíduos à conversão. O objectivo central é o crescimento numérico da seita/culto (Galindo, 1994).

publicado por alexandreramos às 15:55
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